Defesas Não Específicas


A imunidade não específica trata-se da primeira barreira defensiva do nosso sistema imunitário e caracteriza-se por ser inata no ser-humano. Estas defesas buscam impedir a entrada de agentes patogénicos no organismo, destruindo-os.

Ao contrário da imunidade específica, a imunidade inata não desencadeia respostas personalizadas de acordo com o agente invasor, e, por isso, chama-se não específica.

Barreiras Físicas, secreções/substâncias antimicrobianas, flora normal

  1. Barreiras Físicas: pele e mucosas
  2. Secreções/substâncias microbianas: suor, lágrimas, saliva, suco gástrico e muco vaginal
  3. Flora normal: conjunto de microrganismos que vivem sem simbiose no nosso corpo.

1. Barreiras Físicas

A pele (impermeabilizada por queratinas*), órgão limite do nosso corpo, é constituída por uma camada de camadas de células que estão em constante renovação. Por essa razão, a passagem de agentes patogénicos praticamente impossível.

As mucosas, não sendo impermeabilizadas, apresentam uma série de mecanismos que dificultam a passagem de microrganismos, nomeadamente a produção de mucos e de secreções antibacterianas ou a existência de cílios de revestimento. 

queratinas* - proteínas estruturais resistentes e impermeáveis à água.

2. Secreções/substâncias microbianas

Suor ➡️ O pH ácido impede o crescimento de bactérias

Lágrimas ➡️ Contêm lisozima, enzima que degrada os peptidoglucanos que entram na constituição da parede celular das bactérias

Saliva ➡️ Contêm lisozima, enzima que degrada os peptidoglucanos que entram na constituição da parede celular das bactérias

Suco Gástrico ➡️ O pH ácido e a presença de de protéases impede o crescimento de bactérias

Muco Vaginal ➡️ O pH ácido impede o crescimento de bactérias e fungos

3. Flora Normal 

A flora normal, conjunto de microrganismos que vivem em simbiose no nosso corpo, não fazendo parte do sistema imunitário, providenciam-lhe um grande auxílio, quer por competirem com micróbios infetantes, quer por produzirem substâncias tóxicas para o mesmos.

Se, por qualquer razão, os mecanismos anteriormente deixarem de penetrar os agentes infeciosos, desencadeia-se uma série de processos, quer de natureza química quer de natureza celular.

Fagocitose 

A fagocitose é a capacidades que algumas células possuem de, após identificarem substâncias estranhas, as envolverem e as digerirem.

Os fagócitos* identificam as substâncias a fagocitar através de moléculas receptoras na superfície das suas membranas.

fagócitos* - células com capacidade fagocitária.


Estas células (fagócitos) podem ser:

  • eosinófilos: com fraca capacidade fagocitária;
  • neutrófilos: células de vida curta. Por não sofrerem diferenciação, são as primeiras células a atuarem;
  • macrófagos: resultam da diferenciação de monócitos. Os seus lisossomas podem durar entre algumas semanas a meses. Tem uma grande capacidade fagocitária.


A fagocitose inicia-se com a quimiotaxia. O fagócitos são atraídos até ao agente infecioso por estímulos químicos, que podem ser produto do próprio microrganismo, ou então proteínas complemento (C5a e C3b).

Uma vez junto do agente infecioso, os fagócitos alteram a sua configuração, emitindo pseudópodes*. Ocorre reconhecimento e ligação ao agente estranho, que é envolvido numa porção de membrana formando-se um fagossoma. Interiormente, na célula, os lisossomas são mobilizados e fundem-se com os fagossomas e colocam as suas enzimas digestivas em ação. O microrganismo é digerido e os seus restos são exocitados.

pseudópodes* - prolongamentos do citoplasma que permitem a captação de substâncias exteriores.

Resposta Inflamatória

A resposta inflamatória é a um conjunto de mecanismos desencadeados pelo organismo para destruir os microrganismos que se tentam interiorizar quando ocorre uma lesão na pele.

As células dos tecidos lesionados - os mastócitos - bem como os basófilos que se encontram nos capilares da zona afetada, produzem histamina que provoca a vasodilatação.

A vasodilatação provoca o aumento do afluxo de sangue no local e a diminuição da aderência entre as paredes dos capilares, aumentando a sua permeabilidade.

O sintomas de inflamação são explicados por este fenómeno: 

  • inchaço: aumento do calibre dos vasos da linfa intersticial;
  • vermelhão: aumento do número dos glóbulos vermelhos;
  • dor: aumento do volume pressiona as terminações nervosas;
  • calor: metabolismo mais intenso.


Determinadas substâncias químicas em circulação atraem os fagócitos, primeiro os neutrófilos e posteriormente os macrófagos, e intensifica-se a fagocitose.

Terminada a resposta inflamatória, é necessária a reparação dos tecidos lesados. Por vezes, pode ocorre a formação de abcessos resultantes da acumulação de pus (neutrófilos mortos, células lesionadas, restos de microrganismos e linfa), que, geralmente, são posteriormente absorvidos pelo organismo.

Também no processo de resposta inflamatória, pode ocorrer a formação de granulomas* que são eliminados, geralmente, através de intervenção cirúrgica.


VÍDEO EXPLICATIVO DO PROCESSO INFLAMATÓRIO

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https://www.youtube.com/watch?v=IDhp3hDB658


granulomas* - conjuntos de fagócitos que incluem no seu interior microrganismos não digeridos que se rodeiam de tecidos fibrosos.


Febre

A elevação da temperatura acima dos 37 ºC é, por si só, um outro mecanismo de defesa associado a infeções.

Os macrófagos possuem receptores nas suas membranas que detectam a existência de produtos do metabolismo microbiano, e que, quando ativados, os macrófagos reagem, produzindo citocinas*, do tipo pirogénico (causam febre), que transmitem sinais para o cérebro para este elevar a temperatura corporal.

A subida de temperatura inibe o crescimento dos microrganismos e acelera os outros mecanismos de defesa.

Sistema Complemento

Em circulação no sangue e nos fluídos que banham os tecidos existem cerca de vinte proteínas inativas que, na presença de indicadores de agentes infeciosos, sofrem ativação.

Esta ativação é rápida e muito eficiente ocorre em cascata, ou seja, a ativação de uma proteína leva à ativação de outra e assim por diante.

Uma vez ativadas, as proteínas complemento:

1) estimulam a resposta inflamatória:

  • contribuem para o aumento da permeabilidade capilar;
  • estimulam a quimiotaxia : os glóbulos brancos são atraídos por algumas proteínas complemento.

2) provocam a lise* das células infetantes

  • as proteínas complemento organizam-se, formando poros nas membranas das células infeciosas, pondo em causa o controlo osmótico dessas células que acabam por morrer.

3) facilita, o trabalho dos fagócitos

  • ligam-se aos infetantes e os fagócitos, que têm receptores para as proteínas complemento nas suas membranas, identificam os microrganismos e destroem-nos.

lise* - processo de destruição ou dissolução da célula causada pela rotura da membrana plasmática.

Interferão

O interferão é um mecanismo de defesa que, apesar de atuar apenas na presença de vírus, continua a ser considerado um mecanismo não específico porque atua da mesma maneira para todos os vírus.

Quando uma célula é infetada por um vírus, existe um acréscimo de RNA de cadeia dupla que resulta da replicação do material genético viral. Na presença dessa quantidades elevadas de RNA, é ativado o gene do interferão. Esses interferões são depois excretados e a célula que as produz é morta pelo vírus que se replica. O interferão, depois de excretado, liga-se aos receptores membranares das células vizinhas ativando os genes codificantes de proteínas antivirais. Estas proteínas, estando ativadas, iniciam um processo de destruição do mRNA celular e a célula acaba por morrer por apoptose*.

apoptose* - morte programada da célula.

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